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Pão e circo


Sol meio frio rodando do outro lado da rua

crianças cinzas girando junto

um resto de sonho

um pedaço de vida

e algumas mesas postas

 



Escrito por Michelle Ferret às 15h56
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Eles caminhavam devagar

as formigas, o vento e o destino

eram meras distrações

o mundo cabia naquele canto de sertão

era tarde para ver raiar o dia

era muito

 

Eles não queriam adormecer

ruminavam os sentidos

sentiam cair as gotas de vida nos pelos

bebiam

 

Com seus queijos e rapadura na bagagem

levavam ali os sonhos e os medos

não havia abrigo para o segundo

precisavam seguir

achar mãos que recebessem as encomendas

entregar a coragem de adormecer

 

E na frente deles

a "equilibradora" de lamparina com o dedo no umbigo

aquecia a esperança de iluminar o mundo...



Escrito por Michelle Ferret às 15h41
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O colorido intocado

as coisas todas fora do lugar,

um azul quase despedaçado

e um rio de ar quente transbordando fora

muito longe

duas garças verdes

sobrevoam o amanhecer

com seus pés de dedos finos

elas rasgam a manhã

arranham nuvens

e desaparecem na chuva

tão fina quanto suas pernas

quanto o par de seus olhos

oblíquos e pequenos

lembram o anoitecer

elas não anoitecem

elas são feitas de dia

e nada mais.



Escrito por Michelle Ferret às 18h48
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É sol

silêncio repentino

repetido

sopa de dores

derramando palavras

quentes

quase incendiárias

pequenas doses de vida

suportando esperanças

não vindas

e continuam pelo mundo

mesmo só

sentindo

 

tudo

 



Escrito por Michelle Ferret às 22h48
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Depois do amanhã
só os ventos
eles que deixam passar por sua pele
as plantas e os pedaços invisíveis do mundo
depois daqui
só os canaviais
eles deixam os pedaços de vento soprarem na cana doce
o amargo tempo…
 
Existir depois de tudo
é traçar o imperfeito por dentro
brincar nas rodas perigosas das roletas quase russas
ainda que coloridas
e conseguir amanhecer um sorriso
ainda que duvidoso
lembrando um choro
aquele último
estreito
dolorido
não dá para inventar o mundo assim
não dá para brincar de morrer a cada girada desse azul
as saias estão sujas
ainda que coloridas
as saias estão amassadas
pesadas
ainda que floridas
elas não rodam mais
ficaram bordadas de lama
de dó
o melhor a fazer é despir
correr
sem olhar para trás

é tentador olhar as cores desse giro



Escrito por Michelle Ferret às 12h12
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A tarde é o desmaio do dia

E os homens vão junto

Levam o ocaso em seus casacos

Sujos de suor e formigas

Os homens se levam para o entardecer

Não é o tempo que ampara a vida

Ela não anda

Suas pernas esverdeadas de varizes pequenas

Deixam mapear o azul das horas nos pés

Não há pausa nesse avoar

O peso do mundo cabe no pensamento

As nuvens não

Elas se avermelham

E rubras, formam carrossel nos meus olhos

Tudo não passa de uma ilusão

Mas...

O que a vida é mesmo ?

 



Escrito por Michelle Ferret às 22h17
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Os dedos estão dormidos

Já é tarde

E eles precisam descansar

Como os pães na mesa de manhã

Ficaram as migalhas esquecidas,

a manteiga e um pouco de saliva

é doce roer as unhas



Escrito por Michelle Ferret às 01h24
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Um silêncio ...

 

Atrito de chumbo sobre a pele

Desassossego

E a luz de poste distorcida nos meus pensamentos

Acendeu na porta da delegacia um novo

Era noite

E os homens levaram os cães

De capote, chinelo e medo

Eles levaram meu sossego



Escrito por Michelle Ferret às 01h23
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Contos do cotidiano

 

Uma lágrima caiu devagar pelos braços magros e frágeis do menino.

Nesse dia ele faltou a escola

não sorriu

desistiu do tempo

 

 

 

Ajoelhado e com um nó em seus olhos, garganta e espírito, a reza veio

forte como asas para o abismo.

Um estampido

 

ele não conseguiu comer

seu dia foi cinza e chumbo

Sua mãe depois de lavar as roupas sujas de todo o mundo

cansada

caiu

e ele viu

como viu também aquela lágrima correr e lavar seu destino pelo resto

de uma vida sem graça

sufocada

cheia de dor nos olhos e nas brincadeiras esquecidas

 

 

Fazia um segundo que havia matado seu pai.

 

 



Escrito por Michelle Ferret às 01h22
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"Quando ser leve ou pesado...deixa de fazer sentido..."

O lagarto, as borboletas e os medos

eles voam

fazem casulos, abrigam-se, voam

não rastejam

borboletas e casulos

incendeiam

o medo não

ele cala

Faz silencio de missa por dentro

missa de sétimo dia

sem data marcada

ele não faz casa

já se deita

espreguiça no primeiro sofá

e escorrega

pinga seu histórico pelas paredes, pelo teto

e não se parece nada com a borboleta

a não ser pela sua velocidade

de ser transformado em vento

 

"amor é tudo o que move..."

 

(ouvindo Aqui e Agora de Gil)

http://www.youtube.com/watch?v=-vGlwrYtdp0&feature=related

 

 



Escrito por Michelle Ferret às 19h03
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Esqueci os gritos, a rua, o delírio

foram voar

na terra de Mário de Andrade

A poesia respira com sinais de fogo

delirante, inquieta e quase desesperada

ela se desfaz nos dias quentes

e volta quando a chuva não quer molhar a palavra

ali é realidade

revirada, insensível e doída

quase sólida

feito pedregulho amontoado para um prédio novo

um ovo

descascado, sem volta

querendo implosão

desejando ...

árvores.



Escrito por Michelle Ferret às 16h21
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Mudo. Parecia um pedaço de madeira abandonado, mas era de verdade. Tinha um pouco de água e se dizia gente. Mas não dizia nada. Era feito um pássaro quando dorme e a noite silenciada de automóvel esquece que existe dia. Era feito um ninho, abandonado. Daqueles que a gente só observa a linha amontoada pra virar remendo depois e junto de outras linhas, se costuram, afinam, mas não se tocam, são solidões amontoadas. Era assim. Como quem espera um transporte num lugar remoto, passa a ser tão inóspito quanto. E quando passa algo, mesmo que uma fagulha de vaga lume, não pega fogo, só desperta. São incêndios impossíveis, como os isqueiros sem gás. Ele era. Uma fagulha esquecida no canto do poste quando o fumante teve que desperdiçar para pegar o primeiro trem...era outra coisa. Era a centelha também, quase apagada depois de três dias de acesa, com os milhos já comidos e um bando de cinzas pra escurecer o chão. Era não. Era mais que isso. Parecia um pecado, daqueles mais escondidos que a gente faz questão de deixar longe,  mesmo que sozinhos se acendam e virem outros, muito maiores. Mas talvez, tudo isso faça sentido para quem não sabe o que é ficar esperando um sentido. Ou não, ou faça só naquele instante. O calor do que é passageiro, no instante em que é quente, incendeia. Depois esfria. E vira esquecimento. Mais um de tantos outros, como os documentos presos em gavetas velhas, quase amarelados feito memórias de velho. Quando a cor vermelha já vira ferrugem e dali não se monta mais bicicletas para correr nos campos longe, viram outras coisas, podem até ficar escondidas, mas tem movimento ainda, só de olhar o pedal, o movimento aparece e faz girar os olhos, os dedos e o passado mais longe, feito moinhos. Sem vento, sim.. o vento é a parte de uma história que ainda não entrou aqui.



Escrito por Michelle Ferret às 21h25
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Todas as coisas inexplicáveis

São altas

Acima das cabeças

Abaixo dos prédios

 

Nessa cidade

Os homens são pardos

Somados à chuva

Se diluem

Superficializam -se

Como estou

 

Sem casa, sem rumo, sem filho

Falta tudo nesse deserto de vidas

Longe léguas do Saara

Falta a cidade inteira por dentro

De mim, dos outros

Dos céus

Desses viadutos abrigados por gente

Cobertores, dores, elevadores enguiçados

Há séculos

Por onde os carros passam

Transitam e intransitam

Intransitáveis

Quase sem ar

Fôlego de gente asmática

É assim São Paulo

Esse mundo quase cego

Cerrado, estreito, sem ar

Sou eu

Aguardando o próximo metrô

Pra voltar a dormir

E ser moída de manhã cedo

Por todo esse encharcado

Que escorre as pernas

Depois seca

Vira solidão

 

 



Escrito por Michelle Ferret às 21h29
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Ela estava distante. Fazia dias que precisava gritar. Mas não conseguia. seus dentes roíam a coragem de ser gente. Roíam seus cabelos também, quase pintados de lágrimas.

Cor de nada. de ninguém. Indefesa e sem saber existir ali, ela queria correr. Seus pés pisavam na velocidade. Amassavam seu futuro, quase pintados de espuma.

Cor de nada.

vazio.

desejava o mar, mas era demais naquele instante.

Delicada e quase sem cor

ela vivia

abstraía o seu modo rude de ser

para cavar outras mulheres dentro de si

recriando outros futuros e velocidades

outras verdades

mesmo que de mentirinha...



Escrito por Michelle Ferret às 02h05
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Não..

não sei mentir agora

ficou tarde

 



Escrito por Michelle Ferret às 01h58
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